Altos e Baixos

April 14, 2014

Na passagem dos anos 90 para os 2000, Subaru Forester e Audi Allroad surpreenderam o mundo com um novo conceito. Os dois modelos eram nada mais nada menos do que duas espaçosas wagons, daquelas que as mães usam para ir ao mercado e depois buscar os filhos na escola.

 

A novidade destes dois modelos ficava por conta das características trazidas das SUV e dos grandes off-roads: suspensão elevada, pneus maiores e de uso misto, tração 4x4 e motor potente. A proposta era um carro util no dia-a-dia e ao mesmo tempo pronto para as estripulias do fim-de-semana. Explodia a onda dos crossovers!

 

No Brasil a "moda" chegou rapidinho, (mas esqueça a tração integral e o motor potente) por aqui as coisas sempre foram beeeeem mais "light", resumindo-se a um visual aventureiro e suspensão elevada.

 

A Volkswagen entrou no jogo com a Parati Crossover. Possuía suspensão mais alta (em 2,7 cm), sem tração integral, e visual mais robusto devido aos para-choques e apliques de plástico preto, com cromados na grade, spoilers e saias laterais, tendo mais cara de "carro urbano" do que os concorrentes. Contava com as motorizações: 1.8 TotalFlex, 2.0 8V e posteriormente o 1.0 16V turbo. Internamente, o painel de instrumentos diferencia-se das outras versões com novo desenho de velocímetro e conta-giros, assim como os números, têm apelo mais esportivo, além do pomo da alavanca de câmbio com detalhe cromado e volante revestido de couro. De série, a Crossover trazia ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, banco do motorista com regulagem de altura, entre outros itens.

 

Se no meio automotivo, crossover é tudo isso que a gente já falou. No meio musical, crossover quer dizer outra coisa: um cruzamento de diferentes gêneros musicais, que tem como intuito um resultado diferente e inusitado.

 

E como se fosse por música, Dom Carlito, de São Caetano do Sul / SP, foi dando o tom nesse exemplar 2.0 (top de linha). A mixagem dos elementos foi meticulosamente estudada, planejada e montada. O conceito "aventureiro-off-roadder-light" foi rapidamente desconstruído com a troca da suspensão elevada, por outra (muito) rebaixada com molas e amortecedores preparados. A famosa fixa.

 

Como se já não bastasse o "mindfuck" de ver um que era carro originalmente "cross" socado no chão, a perplexidade aumenta quando partimos para o jogo de rodas. Como é que pode um jogo de rodas, que parecem tão caretas no sedan C230 da Mercedes, ficarem com aspecto tão agressivo? O segredo está nos pneus 185/35 R17" e no fato de ser um jogo staggered (duas talas): 17x7.5" nas dianteiras e 17x8.5" nas traseiras.

 

Como os Mercedes e os VW atuam em diferentes "frequências" quando o assunto é furação de roda, o processo de afinação é bastante trabalhoso, mas foi feito da maneira correta: como a furação 4x100 (da VW) tem o problema de coincidir com um dos furos de 5x112 (da Mercedes), a Parati teve os cubos refurados para 5x100 (padrão dos Golf e Polo) e só então entraram os adaptadores de 5x100 para 5x112 em 15mm de espessura.

 

Outros pequenos detalhes de arranjo ficam por conta do DVD Pioneer, do console central em fibra de carbono e dos piscas com aplique laranja. Tudo orquestrado lá na Carlito Car Estética Automotiva.

 

A motivação de quem personaliza seus carros, quase sempre gira em torno de criar algo "diferente" e a escolha da base pode ser é determinante quando se trata de criar um fator surpresa... o inesperado. Talvez por isso vamos passar a ver carros altos, cada vez mais baixos.

 

 

 

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